Climatização de data center em Curitiba: como funciona o dimensionamento de carga térmica?

A climatização de data center é um dos projetos de engenharia predial mais exigentes que existem, porque o sistema não pode falhar em nenhum momento do ano, inclusive de madrugada, em feriado ou durante uma manutenção elétrica. Curitiba e a região metropolitana, com destaque para polos como a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e o eixo empresarial do Ecoville, vêm recebendo cada vez mais estruturas de TI corporativas, seja em prédios comerciais que abrigam salas de servidores próprias, seja em operações de colocation. O problema é que boa parte desses projetos ainda trata a sala de TI como se fosse um ambiente comercial comum, e isso gera subdimensionamento ou, no outro extremo, superdimensionamento caro de operar.

A diferença central está na natureza da carga térmica. Num escritório, a carga varia com ocupação de pessoas, iluminação e insolação ao longo do dia. Num data center, a carga dominante é o calor sensível gerado pelos próprios equipamentos de TI, e ela é praticamente constante, 24 horas por dia, 365 dias por ano, independente de estação. Isso muda o critério de projeto desde o primeiro cálculo.

climatização de data center

Por que a climatização de data center exige outro método de cálculo

O ponto de partida é o levantamento da carga de TI real e projetada, em kW por rack, e não apenas a área do ambiente em metros quadrados. Um data center com racks de alta densidade pode concentrar uma carga térmica muito superior à de um escritório do mesmo tamanho. O estudo de carga térmica precisa considerar:

  • a potência elétrica instalada em TI e o percentual de utilização esperado no horizonte de crescimento da operação, não só na inauguração;
  • o layout dos racks e a formação de corredores quentes e frios, que determina onde o ar frio precisa chegar com mais força;
  • a redundância exigida pela operação, porque um data center normalmente precisa de mais de uma unidade de climatização funcionando em paralelo, com capacidade de assumir a carga total se uma unidade parar;
  • o ganho térmico da envoltória do ambiente (paredes, teto, iluminação), que no data center é secundário, mas ainda entra na conta.

Esse cálculo é o que define se o sistema vai usar climatizadores de precisão dedicados (CRAC ou CRAH), chillers de água gelada com redundância, ou uma combinação dos dois, dependendo do porte da operação e da criticidade definida pelo cliente.

Redundância: o critério que muda o projeto todo

Redundância não é sobre ter um equipamento reserva parado no depósito. É sobre a configuração de operação em paralelo, com dimensionamento de capacidade e de rede de dutos ou tubulação que permita a substituição de carga sem interrupção. Definir o nível de redundância adequado (se cada unidade opera com folga suficiente para cobrir a perda de outra, por exemplo) é uma decisão de engenharia que precisa ser tomada antes da compra de equipamento, porque muda o dimensionamento de todo o sistema, inclusive o elétrico.

Controle de umidade e ponto de orvalho, não só temperatura

Em climatização predial comum, o foco é a temperatura de conforto. Em data center, a umidade relativa do ar tem peso igual ou maior, porque ar seco demais gera risco de descarga eletrostática em componentes eletrônicos, e ar úmido demais gera risco de condensação em superfícies frias. O projeto de climatização de data center trabalha com uma faixa de umidade controlada, e não apenas com um termostato regulando graus. Isso exige climatizadores com controle de umidade dedicado, não apenas resfriamento.

Eficiência energética sem comprometer a disponibilidade

Data center é, historicamente, um dos maiores consumidores de energia elétrica dentro de uma operação corporativa, porque roda em carga plena o tempo todo. Isso torna a eficiência energética um requisito de projeto tão importante quanto a disponibilidade, e não um item que se resolve depois. Estratégias como corredor quente/frio confinado, free cooling em períodos de temperatura externa favorável e setpoints de temperatura mais altos (dentro dos limites recomendados pelos fabricantes de TI) reduzem consumo sem aumentar risco, quando bem calculadas dentro do estudo de carga térmica original.

A relação entre consumo de climatização e consumo total de TI, conhecida como PUE (Power Usage Effectiveness), é o indicador que orienta essas decisões, e ela só melhora quando o sistema é projetado sob medida para aquela carga, e não montado a partir de equipamento de catálogo genérico. O Procel, ligado à Eletrobras, reforça esse ponto ao tratar a eficiência energética como parte estrutural do projeto, não como ajuste posterior, algo que vale tanto para climatização predial comum quanto, com ainda mais peso, para data center.

Manutenção: onde a criticidade do data center aparece de novo

Um chiller ou um climatizador de precisão parado por horas em um escritório é desconforto. Parado em data center, é risco de indisponibilidade de serviço, com impacto direto na operação do cliente que hospeda ali seus sistemas. Por isso, o contrato de manutenção de um data center costuma prever monitoramento contínuo, resposta emergencial em prazo curto e um plano de manutenção preventiva mais rígido do que o de um prédio comercial comum. Os critérios que valem para avaliar um contrato de manutenção predial de climatização se aplicam aqui, mas com tolerância a falha praticamente zero.

FAQ sobre climatização de data center

Qual a diferença entre climatização de escritório e de data center?

No escritório, a carga térmica varia com ocupação e insolação ao longo do dia. No data center, a carga é constante, dominada pelo calor gerado pelos equipamentos de TI, e o sistema precisa operar 24 horas por dia sem interrupção, com controle rígido de umidade além da temperatura.

Todo data center precisa de sistema redundante de climatização?

Depende do nível de criticidade da operação. Data centers que hospedam sistemas de missão crítica normalmente exigem redundância na climatização, com capacidade para manter a operação mesmo se uma unidade parar. Isso é definido no estudo de carga térmica, junto com o cliente, antes da escolha de equipamento.

O que é PUE e por que ele importa no projeto?

PUE é a relação entre o consumo total de energia da instalação e o consumo exclusivo dos equipamentos de TI. Quanto mais próximo de 1, mais eficiente é a climatização em relação ao total consumido. Ele orienta decisões de projeto como confinamento de corredor e uso de free cooling.

Chiller ou climatizador de precisão: qual usar em data center?

Depende do porte. Climatizadores de precisão dedicados costumam atender operações menores ou salas de TI dentro de prédios comerciais. Chillers com redundância entram em operações de maior porte, onde a carga térmica e a criticidade justificam um sistema de água gelada dimensionado especificamente para aquela densidade de racks.


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2 comentários em “Climatização de data center em Curitiba: como funciona o dimensionamento de carga térmica?”

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